Sarau Perifatividade na Biblioteca: Onde Estaes Felicidade?

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Encerramos as nossas ações de 2014 na Biblioteca Amadeu Amaral pelo Programa Literatura Periférica: Veia e Ventania nas Bibliotecas de São Paulo, com chave de ouro! Nada melhor que um lançamento literário que envolve Carolina Maria de Jesus, organizado por uma referência literária de nossa quebrada!
E assim lançamos “Onde Estaes Felicidade?”, livro com dois textos inéditos de Carolina Maria de Jesus, de organização de nossa poetisa do Fundão do Ipiranga Dinha Maria Nilda e Raffaella Fernandez, em parceria com a editoraCiclo Contínuo e a Fundação Cultural Palmares.
Também tivemos a presença de Luciana Lima, neta de Carolina Maria de Jesus e seus bisnetos, e todos os colaboradores desta obra, que ganharam seus livros customizados, além de uma intervenção em stêncil art por Fininho( Sarau Arttude)
Para musicar este dia tão especial, nada melhor que os nossos: Pânico Brutal e Vinão Alobrasil, além da Família Crack Zero, parceira e sempre presente!
Agradecemos e muito à: Helena Santos (coordenadora da Biblioteca Amadeu Amaral), Rosa Maria Falzoni, Heloisa Bonfanti, Giuliano Tierno e demais pessoas do Sistema Municipal de Bibliotecas (SMC), pela oportunidade e realização desses dois anos de atividades!
Até 2015!

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Hip-Hop Zumbi no Jd. São Savério e Parque Bristol!!

Dias 29 e 30 rolou no Fundão do Ipiranga a 10ª edição do Hip-Hop Zumbi! Organizado pela Rede Poder e Revolução e Coletivo Perifatividade, o evento ocorreu em dois dias: 29/11 na E.E. Álvaro de Souza Lima, no Jd. São Savério e dia 30 na R. José Pereira Cruz, no Parque Bristol.

Na sexta-feira, o foco foi o debate sobre Genocídio da Juventude Negra, que contou com as presenças de Berg (Quilombagem), Rapper Pirata (Fórum Municipal de Hip-Hop SP), e Panikinho (WAPI Brasil), e o Sarau Zumbi Vive, que contou com a presença de Mara Onijá e de todos os participantes!

Já dia 30, o evento foi dedicado à apresentações musicais: estiveram por lá Palafita Urbana, D’Grand’Stilo, MC Sharylaine, Poder de Expressão, Vinão Alobrasil, Zamba MC, Liu Mr., Terno MC e Diego Soares!

Confiram as fotos por Ana Fonseca e Diego Soares:

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Dias 29 e 30 acontece a 10ª edição do Hip-Hop Zumbi!

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Dias 29 e 30/11 vai acontecer no Fundão do Ipiranga, a 10ª edição do Hip-Hop Zumbi, evento de afirmação da identidade, cultura e militância negra nossa!
No dia 29, na E.E. Álvaro de Souza Lima, no Jd. São Savério, ocorrerá debate sobre Genocídio da Juventude Negra, com as presenças de Rapper Pirata (Fórum de Hip-Hop SP) e Berg (Kilombagem)! Após o debate, vai rolar o Sarau Zumbi Vive!, com a presença de diversos MC’s, grupos, poetas, poetisas e a presença dos alunos!

Dia 30/11, na R. José Pereira Cruz (Parque Bristol), acontece o show Hip-Hop Zumbi, com a presença de diversos grupos e artistas de rap e reggae, que fizeram e fazem a história cultural da região! Não deixem de comparecer!

Como chegar:

29/11 – Álvaro de Souza Lima

Ponto final do ônibus Term. Pq. Dom Pedro / Jd. São Savério 475R/10

30/11 – R. José Pereira Cruz

Do Terminal Sacomã

5034/10 – Term. Sacomã / Vila Liviero (circula até 16hs)

5038/10 – Term. Sacomã / Pque Bristol

Obs: em ambos, descer no ponto final.

Dinha lança seu segundo livro “Onde escondemos o ouro”

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Sábado, 05/10, a grande poetisa do Fundão do Ipiranga, Dinha lança sua segunda obra literária, “Onde escondemos o ouro”.

  • Dinha (pseudônimo de Maria Nilda de Carvalho Mota) nasceu na cidade de Milagres, Ceará, no ano de 1978. Mudou-se para São Paulo, trazida pela família no ano seguinte. Em 1999 participou da fundação da Posse Poder e Revolução – grupo de pessoas, ligadas ao movimento hip hop, dispostas a realizar intervenções políticas e culturais em suas comunidades. No mesmo ano iniciou o curso de Letras na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Atualmente é doutoranda da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, leciona na rede pública municipal de ensino, é autora dos livros De passagem mas não a passeio (2008) e Onde escondemos o ouro (2013) e é também criadora e editora do selo Me Parió Revolução, em parceria com Sandrinha Alberti e Lindalva Oliveira. É aluna (em fase de doutoramento) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e autora dos livros De passagem mas não a passeio (2008) e Onde escondemos o ouro (2013).

    “Onde escondemos o ouro” divide-se em 3 pequenos livros. O primeiro, chamado “O guardião” representa o Amor em seus múltiplos sentidos como guardador dos tesouros. O livro 2, chamado “O ouro” ou “A lista dos 100”, homenageia as muitas pessoas que a autora, seus familiares e vizinhos viram morrer assassinadas ao longo de suas vidas. Essas pessoas são a representação do ouro que, na visão da autora, é diariamente saqueado pelo Estado e suas ações e omissões cotidianas. O livro 3, por fim, faz da ironia o último recurso de luta. “Bichos” apresenta uma série de situações e insights em que só a ironia parece ser capaz de restaurar a ordem e garantir a integridade poética.

    Para o evento de lançamento, além de um bae-papo com a autora, as presenças de Sarau dos Mesquiteiros e Sarau Perifaividade, homenagem a Fernando Elza (Malote), Dança Oriental com Ana Fonseca, Intervenção Musical com Silmara Silva, Terno Maciel & Diego Soares e Repper Fiell (RJ).

    Lançamento do livro “Onde Escondemos o Ouro”, de Dinha

    Mutirão do Jd. Celeste

    R. Memorial de Aires, 480 – Jd. São Savério (próx. a E.E. Álvaro de Souza Lima e Paróquia Jd. São Savério)

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A tod@s @s interessad@s – Quem somos, onde estamos e o que fazemos – Coletivo Perifatividade: Sarau, Música, Opinião, Leitura!

perifa A tod@s @s interessad@s: Nós do Coletivo Perifatividade, somos um Coletivo Cultural existente desde 2010 e atuamos em diversos bairros da região a qual denominamos “Fundão do Ipiranga”: Pq. Bristol, Jd. Clímax, Jd. São Savério, Vila das Mercês, Heliópolis, entre outros. Atuamos em escolas, favelas, MSE’s (medidas socioeducaticas), abrigos, no Bar do Boné Cultura, e em ocupações culturais, como o Maloca Espaço Cultural. Em nossa história, todos os integrantes de forma particular já atuavam culturalmente, inclusive os integrantes da Rede Poder e Revolução, ao qual temos imenso agradecimento e nos sentimos descendentes. Temos, nestes 03 anos de caminhada, diversos amig@s e parceir@s, que não citaremos nominalmente todos porque fatalmente seria injustiça, mas destacamos alguns próximos, como Mães de Maio, Assentamento Milton Santos, Rede Poder e Revolução, Amopaz Luta, Sarau Dos Mesquiteiros, Sarau Oquedizemosumbigos, Sarau da Brasa, Sarau da Ademar, Sarau Do Binho Sarau, Coletivo Cultural Elo da Corrente, Sarau Candeeiro, Sarau do Fórum, enfim, quase todos os Saraus deste São Paulo, e diversos amigos por SP, Rio de Janeiro, Recife, e Alagoas. Temos diversos parceiros na música, que se dedicam e se dedicaram, nos agradáveis e nos não tão agradáveis momentos: Rinha de Galo, D’Grand’Stilo, Poder de Expressão, Aliados da Sul, Liu Mr, Avante o Coletivo, Bastian, Yzalú, Eduardo Revolução, Ba Kimbuta, Primeira Função, Big Bang 59, Ba-Boom, entre outros. São muitas pessoas, entre Saraus, amigos e músicos. Nos perdoem se não citamos tod@s neste momento, mas como diz a simples frase: quem é, sabe. Tivemos o apoio, por 2 anos consecutivos do programa VAI, da Secretaria de Cultura Municipal de SP. Hoje, não temos apoio financeiro de nenhum órgão governamental ou instituição. Levamos as ações tirando de nosso próprio bolso, com inclusive alguns dos integrantes desempregados, tirando de onde não tem. Mas porque estamos falando tudo isso? Diante do recente acontecimento, queremos explicar que somos contra toda forma de opressão, seja ela de quem for, contra o POVO, contra as pessoas da periferia. Os stêncil com este logo acima  que TODAS as pessoas podem ver nas ruas e paredes nos nossos bairros, que são pontos onde rola tráfico, foram em ruas que fizemos o SARAU PERIFATIVIDADE NAS FAVELAS, em que levamos nossos livros, produzidos de forma ‪#‎independente‬, com o objetivo de estimular a literatura e a criação literária dos escritores do nosso Fundão. Levamos música, com a Kombi do Rap, teatro com Claudio Laureatti e muito mais. No espaço “abandonado”, onde se vê o stêncil deste logo acima fazemos mensalmente o CINE MALOCA, um cinema onde levamos a tela, o projetor, caixa de som, tudo #independente e realizamos um cinema e debate com pipocas, salgadinhos e refrigerantes e parceria com a Rede Poder e Revolução + Me Parió Revolução, direcionado à crianças e adultos. Criminalizar ou tentar criminalizar qualquer movimento cultural fatalmente é um‪#‎RETROCESSO‬ em qualquer tentativa de uma sociedade mais digna, justa, e igualitária!!!

Cine Maloca: Diversão e Reflexão para Crianças e Adultos no Parque Bristol!

Domingo, dia 29 de julho, ocorreu no Maloca Espaço Cultural, na região do Parque Bristol (Ipiranga, zona sul de São Paulo) a estreia do “Cine Maloca”, promovido pelo Coletivo Perifatividade, um coletivo cultural que atua há 02 anos nesta região.
A iniciativa é pioneira: levar um projetor e um telão a um espaço até então abandonado, porém que já foi ocupado durante muito tempo por atividades culturais como esta. Vamos explicar: A posse Núcleo Poder e Revolução ocupava este espaço de 2000 a 2008, e realizava milhares de projetos culturais e educacionais, como shows, mutirões de grafite, projetos de educação sexual, entre outros, até que a Prefeitura de São Paulo pediu o espaço com a promessa da construção de uma escola infantil (EMEI). Desocupado em 2008, a escola ficou na promessa e o espaço desde então ficou completamente abandonado e deteriorado.
Dia 08/07/2012, ex-integrantes da posse, integrantes do Coletivo Perifatividade, membros de outros coletivos culturais, associações de bairro, e moradores da comunidade ocuparam culturalmente o Maloca Espaço Cultural, mostrando que a cultura é sim uma necessidade, e a comunidade, especialmente as crianças precisam de atividades que possam dar outro horizonte social, cultural e educacional as suas vidas, já que o poder público na região não oferece gratuitamente. A partir deste dia, já aconteceu a oficina infanto-juvenil de MC’s com Terno, e agora, o Cine Maloca.
Com uma gostosa pipoca e refrigerante, as crianças puderam conferir o filme “Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, especialmente direcionado a elas, e depois um documentário mais dirigido a adolescentes e adultos: “Zumbi Somos Nós”, realizado pelo Coletivo Frente Três de Fevereiro. E mesmo este, algumas crianças assistiram, o que mostra que há sim interesse em estar perto da cultura, coisa que o Coletivo Perifatividade sabe bem nas suas inserções nos Saraus nas Favelas, onde grande parte do público participativo que declama as poesias são as crianças locais.
A sensação que todos tiveram da ação, ao término, foi: NÃO PODEMOS PARAR! É extremamente positiva esta iniciativa, pelas crianças, e por aquela comunidade. Mesmo que sejamos grãozinhos de areia em um mar de uma sociedade cada vez mais individualista, onde não se importa mais com o próximo, não podemos cair. Mesmo sendo menores, a diferença está em cada um de nós fazermos a nossa parte!

A Retomada – Como foi a re-ocupação do Maloca Espaço Cultural!

Dia 08/07, num domingo pela manhã, algumas pessoas tinham uma missão importante. Missão esta que foi em parte impedida pelo mau tempo (em especial a chuva), porém, como ninguém é de açúcar, não impediu a presença – e esta a parte mais importante da história toda. Dia 08/07 foi o primeiro dia da RETOMADA, a re-ocupação do Maloca Espaço Cultural, que é um espaço público (leia-se NOSSO) abandonado, onde aconteciam muitas atividades culturais situado na região do Parque Bristol, mais um bairro da periferia com muito talento localizado e com necessidade de locais culturais como esse para que a comunidade possa deixar florescer e manifestar o seu trabalho. Neste dia, iríamos limpar o local que está bem sujo, capinar o matagal que até então estava muito alto (mas na semana de divulgação nas redes sociais, a prefeitura cortou), retirar e otimizar o entulho que lá está, construindo um palco. Não conseguimos concluir os nossos objetivos de limpeza e retirada de entulhos pelo mau tempo, porém o dia foi importantíssimo na integração, conhecimento, descontração e muito planejamento.

Aproximadamente as 09 horas da manhã, integrantes da AMOPAZ (Associação de Moradores de Vila Cristina e Vila da Paz), do Coletivo Perifatividade; Ruivo Lopes, do Sarau da Ocupação São João; Monge e Juliana, do Sarau do Fórum (SBC), Bastian Tamoio Bantu, Skol, e Banca Tamoio Bantu; integrantes do  Núcleo Poder e Revolução, posse que gerenciava o Maloca Espaço Cultural até 2009, quando a Prefeitura pediu o espaço para a construção de uma EMEI que até hoje ficou só na promessa, e o espaço ficou abandonado até então, ocioso como e depósito de entulhos. Além de todos estes citados, muitas pessoas da comunidade que já estão sabendo e apoiando a iniciativa, que conheciam as atividades que outrora aconteciam, compareceram e planejaram conosco um novo dia para a limpeza e otimização do ambiente.

Hoje, há 02 moradores ocupando também o espaço, totalmente integrados com nossa proposta, inclusive sendo parceiros de nossas atividades e atuando como zeladores, cuidando do espaço como um bem tanto quanto nós.

O espírito coletivo foi genuinamente presente no tempo de permanência de todos nesta re-ocupação, tanto nas conversas quanto no rateio para o almoço, respeitando o paladar de todos os nossos amigos: teve churrasco vegetariano, com milho, batata, berinjela, queijo branco, além de arroz, feijão, linguiça, salada, salsicha, refrigerante e pinga mineira para esquentar os corpos, já que os corações estavam quentes! Muita música embalada aos violões e percussão nos baldes de limpeza deixaram claro que para ter união, não precisa de grandes estruturas, basta ter vontade. Vontade é a chave para a modificação de tudo, essa foi a maior certeza!

Dentre as atividades que irão ocorrer daqui para frente no Maloca Espaço Cultural, destacam-se:

Dia 22/07 – Oficina de MC’s infanto-juvenil – as 14hs. Após a oficina, Sarau Perifatividade nas Favelas, na R. Menino do Engenho – Jd. São Savério.

Dia 29/07 – Cine Maloca – com Coletivo Perifatividade – a partir das 16hs (filmes e documentários infantis e adultos com debates)

Dia 04/08 – Mutirão de Grafitte – com Grafitteiros convidados – as 10hs da manhã (cada graffiteiro com seu material)

Vão acontecer também reuniões periódicas da AMOPAZ, devida a desapropriação que ocorrerá através do Plano Municipal de Habitação, em que no lugar dos barracos que já estão numerados, irá se construir um parque linear.

O Maloca espaço Cultural fica localizado à R. Giácomo Cozzareli, 266 – Parque Bristol.

Confiram as fotos do primeiro dia da RETOMADA, tiradas por Terno Maciel:

Quem leu, leu. Quem não leu. Leia. Vale a pena.

VOCÊ SABE O VALOR DA LEITURA?

Quando então aprendi a ler, o mundo se abriu de uma vez. E era pequeno demais para mimPor Dinha [*]

Quem de nós sabe o valor da leitura? Posso dizer que sei. Ainda pequena, vivi as histórias de lobo e fantasma, de riso e de solidão, através das incansáveis narrativas de meu irmão, apenas dois anos mais velho que eu. Foi no espanto dessas histórias que eu, pela primeira vez, conheci o gosto de aventura em lugares distantes, com pessoas longínquas, em situações inusitadas, vampiro sonhando manhãs de sol.
Eu lia sem ler, ouvindo apenas – e vendo em meu irmão o brilho de entusiasmo e a satisfação em contar histórias, que só os grandes contadores de história têm. Quando, aos sete anos, entrei na escola, e as letrinhas juntaram-se em palavras e em sílabas – para mim, algumas delas nunca foram sílabas, foram sempre cachorros latindo, amigos se cumprimentando, reis ascendendo aos tronos, sapos, macacos e sherazades, explosões de significados, amor descoberto aos poucos.
Quando então aprendi a ler, o mundo se abriu de uma vez. E era pequeno demais para mim: o córrego [riacho] sujo, o barraco apertado e suspenso, para driblar as enchentes, a comida contada. Iniciada a leitura, apenas o amor da mãe prosseguiu (tão imenso quanto as esperanças que ela depositou em mim). Todo o resto perdeu a cor, dissipou-se, precisou ser reescrito.
Empodeirada de leitura, ganhei o mundo, estudei na melhor universidade do país, tornei-me poeta e professora. E se o mundo não me ganhou, foi porque desenvolvi meu senso crítico, fortaleci meu senso de proteção e encontrei alguém que me ajuda a ressignificar o mundo, cotidianamente.
Espalha-Leitura
Eu sei o valor da leitura e sei que no Brasil ele ainda é pequeno.
parque-bristolEmbora os governos invistam minimamente em programas como o “Minha Biblioteca”, que distribui títulos, gratuitamente, a alunos da rede municipal, ou o “Uma biblioteca em cada município”, do governo federal, o acesso aos livros em nosso país, especialmente nas periferias das grandes cidades, permanece escasso. No Parque Bristol, zona Sul de São Paulo, por exemplo, a biblioteca pública mais próxima fica a R$2,70 de distância, 30 minutos de ônibus, ou uma hora e meia a pé. E pode custar o dobro, se o leitor desejar voltar para casa após o passeio. Na Cidade Tiradentes, uma imensa área residencial, com alto índice de vulnerabilidade social, na Zona Leste de São Paulo, há apenas uma biblioteca e ela é comunitária – só existe enquanto o Núcleo Força Ativa, um grupo organizado da região, puder mantê-la. Como no Parque Bristol, que também tem sua biblioteca comunitária, o acesso a esse bem cultural depende não da ação obrigatória do governo, mas da boa vontade e da insistência política de cidadãs e cidadãos comuns.
Gente comum, esforços incomuns
forcaativaUm amplo coletivo começou a ser formado em 2006, durante um encontro sobre bibliotecas comunitárias, no Itaú Cultural. Lá estavam eu, duas professoras universitárias – uma das quais era, na época, doutoranda pela Universidade de São Paulo e cuja tese abordava o tema das bibliotecas comunitárias, enquanto prática social no Brasil -, o Núcleo Cultural Força Ativa e outras organizações sociais envolvidas com o tema. A minha função, na ocasião, era apresentar a Livro-pra-que-te-quero (nossa biblioteca, gerida pelo Poder e Revolução, o “arquipélago urbano”) e as nossas estratégias de “espalha-leitura”.
Tempos depois, uma das professoras nos procurou para conhecer melhor a nossa experiência e certificar-se de que ela se encaixava em seu estudo acerca das bibliotecas comunitárias.
Aparentemente, ela gostou tanto do que viu, ali e em outros tantos espaços pelo país afora, que entendeu ser importante a realização de um encontro nacional de bibliotecas comunitárias, enquanto estratégia de fortalecimento destas iniciativas, de modo a aumentar sua visibilidade e promover trocas capazes de aumentar o acesso aos livros no país e contribuir para a formação de leitores. A seu convite, foi formado, então, um coletivo com vistas ao planejamento e execução deste encontro.
Primeiro Encontro Nacional de Bibliotecas Comunitárias
De 2009 até agora, muitos esforços foram demandados, por parte de todos, para que um encontro entre as bibliotecas comunitárias do país fosse realizado: foram feitas muitas reuniões de planejamento, viagens com gastos do próprio bolso, articulações comunitárias, um projeto foi escrito, um plano de trabalho desenhado, uma rede virtual foi criada e segue funcionando no endereço eletrônico http://www.rbbconexoes.ning.com.br. Além disso, foram feitos vários contatos com possíveis parceiros e patrocinadores da idéia. Muitos domingos de sol foram adiados, em nome desta possibilidade.
scannedimage-8Entretanto, apesar da organização popular em torno da construção deste encontro, apesar de este ter sido um sonho sonhado junto, a realidade esbarrou no preço, na pouca importância que a leitura, estrategicamente, parece ter neste país, e o evento ainda não aconteceu.
Para que ele ocorra, esta luta precisa prosseguir. Por isso, convidamos a tod@s a que engrossem as fileiras em torno da batalha, ora travada, para que os livros, enquanto direito, como bens culturais que são, estejam acessíveis a todos e a todas e para que este encontro, enquanto estratégia de reforço nesta batalha, possa efetivamente acontecer.
Você, sabe o valor da leitura?


[*] Dinha é membro do Núcleo Poder e Revolução, professora da rede pública municipal da cidade de São Paulo, mestranda em Estudo Comparados de Literatura de Língua Portuguesa (FFLCH/USP) e autora do livro De passagem mas não a passeio (Global Editora, 2008)

FONTE:
http://rbbconexoes.ning.com/forum/topics/voce-sabe-o-valor-da-leitura